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Gestão

Ressignificar

Equipe Acerte 16/04/2026 4 min de leitura
Ressignificar

Ressignificar, segundo o dicionário, é a ação de atribuir um novo significado a algo ou alguém. Isto tem uma conexão direta com os relacionamentos que vamos construindo ao longo de nossa vida nos mais diversos ambientes que interagimos, e com as diferentes pessoas que conhecemos e convivemos.

Somos movidos por relações. Aqueles que nos cercam de algum modo nos mobilizam, nos tocam, nos alertam, nos sensibilizam, nos condicionam a determinadas ações e comportamentos. E aqui vem aquela fala que diz que “toda a ação tem uma reação”!

O contato com pessoas, mesmo em momentos de distanciamento social, acontece de alguma forma. Algumas pessoas têm mais necessidade deste contato mais permanente e intenso, outras nem tanto e até muitas vezes preferem a solidão ou o silêncio, e não as companhias e sons. Mas independentemente de como cada pessoa se comporta em algum momento sentirá a necessidade de alguma interação, seja presencial ou à distância.

Até mesmo se não escolhermos o contato com alguém já faremos uma escolha. Quando nos deparamos por diferentes caminhos e encruzilhadas na vida o nosso livre arbítrio nos possibilita a opção: seguir ou não seguir, admirar ou não admirar, amar ou não amar, trabalhar naquela empresa ou não, aceitar uma sugestão ou não aceitar, fazer aquele curso ou outro curso, torcer por um time ou por outro time, comprar naquela loja ou em outra loja, ler aquele livro que te sugeriram ou outro que você comprou, fazer aquela viagem ou economizar para reformar sua casa, enfim. Escolhas e mais escolhas!

E assim funcionam nossos relacionamentos, que podem ser saudáveis ou tóxicos. Às vezes demoramos para identificar essa diferença ou essa escolha, talvez por receio ou medo do impacto que isso pode acarretar na nossa vida, e de como lidaremos com isso.

Nos relacionamentos saudáveis, que realmente nos fazem bem, os benefícios são inúmeros e incríveis, em que os reflexos são sempre favoráveis para nossa qualidade de vida. Aquele relacionamento que te coloca “para cima”, que te motiva, que te incentiva a melhorar, a crescer, a ser feliz, que se preocupa com teu bem-estar. E aquela amizade verdadeira, que tu podes ficar meses sem estar presencialmente com a pessoa, mas que sabes que lá estará sempre quando precisar, mas que não deixa de saber notícias, de ligar, de mandar uma mensagem, de enviar um e-mail, enfim, não esquece de lembrar de você!

E aquele trabalho que te realiza, que te faz ter vontade de acordar todos os dias e ir “lá” fazer e dar o melhor possível em termos de desempenho? Aquele trabalho que não é uma carga, é uma realização, é um prazer, é benéfico, é interessante e te faz aprender, agrega valor na tua vida como um todo, te faz ampliar possibilidades e conhecimentos. Isso me faz lembrar uma palestra que assisti e que o palestrante comentou que muitas pessoas que encaram o trabalho como uma “carga” e não como algo “saudável” passam esse sentimento diretamente em casa e para seus filhos, que consequentemente acabam relacionando diretamente o trabalho como algo “ruim” e “penoso”. E as crianças depois se tornam jovens e adultos que acabam encarando um trabalho como algo “chato” e “pesado”, o que explica talvez hoje a razão que vemos currículos de jovens de 20 à 30 anos de idade que já trocaram 10 vezes de empresa (ou mais). Ou seja, não criam vínculos em lugar nenhum, não se apegam a nenhum tipo de trabalho ou assim que se deparam com alguma dificuldade “correm” de lá, ou são desligados pela empresa, que identifica essa falta de empenho ou dedicação. Não quero dizer com isso que tenham que se aposentar ou se acomodar na mesma empresa, ou que o jovem não é um profissional importante, mas certamente esse pouco tempo de permanência em uma mesma empresa, essa tamanha inconstância, sede de mudança ou insatisfação permanente acaba refletindo aos olhos dos recrutadores, recursos humanos, líderes, gestores de forma negativa.

Em compensação o contrário também acontece; aquele profissional que reflete dentro da sua casa ou no meio em que vive que o trabalho é algo valoroso e significativo acaba trazendo esse sentimento bom para sua família, filhos, amigos de algo valioso e significativo, algo realmente importante que faz bem e que é importante. Nada melhor que carregar conosco esse sentimento, trabalhar no que acreditamos e valorizamos, fazer a diferença, abrir a mente para as possibilidades de aprendizado.

Se o trabalho está presente 75% do tempo na nossa vida com certeza precisa ser algo que nos faz bem! Mesmo em momentos difíceis é importante e nos fortalece na busca de superação.

Quanto as relações tóxicas, algumas pessoas passam toda a vida mantendo relacionamentos desgastantes, imprudentes, convivendo com pessoas que “sugam” sua energia, que exploram sua bondade, que retiram o que lhes interessa em proveito próprio, que se fazem de bondosos, mas no fundo são egoístas e influenciadores negativos. Esses muitas vezes vestem um personagem “bonzinho”, mas na verdade são grandes interesseiros. Causam uma sensação de ilusão boa nas pessoas; tudo isso porque são movidos por seu ego gigante! E quem aceita isso? Aquelas pessoas carentes, subservientes, ingênuas, acomodadas pela própria situação que se apresenta no momento. Aceitam pouco que recebem, aceitam tudo que se apresenta, aceitam o que receberem, aceitam sem questionar. E sofrem, sofrem caladas, sofrem falando, sofrem para dormir bem, sofrem quando vão para o trabalho que não lhes agrada, sofrem por não falarem, sofrem por falarem, se desmotivam com facilidade e não se motivam pelas conquistas (mesmo que as conquistas pequenas, que são tão importantes para seguirmos em frente).

Eu já tive experiências ruins com amigas e amigos que não são mais minhas amigas e meus amigos, e acredito que muitas pessoas já passaram por isso também. Mas o melhor dessa experiência (e isso eu considero muito positivo) é nos darmos conta que essa perda na verdade foi um tremendo ganho. Sim, eu estava em uma relação tóxica e nem percebi; só percebi ao findar essa amizade, que na verdade, me prejudicava de alguma forma. E na verdade com o tempo fui processando esse final e entendendo que foi muito melhor assim. Eu já tive experiência de colegas de trabalho tóxicos, que não me acrescentavam nada, e que para mim foi um tremendo alívio me “libertar” desse ambiente que para mim não era o que eu desejava trabalhar. E depois de algum tempo, encontrar essas pessoas por acaso na rua, envelhecidas com seus ranços, mal humor, energia negativa, e ter a certeza de que fiz a escolha certa foi extremamente tranquilizador.

As relações saudáveis que mantemos com as pessoas que escolhemos para participarem de nossa vida são valiosas demais; elas sim merecem nossa atenção, nossa preocupação e dedicação. Eu posso ficar dias sem ver e falar, mas quando isso acontece é só festa. Não é o tempo distante que importa; é o aproveitamento do tempo juntos ou de contato que importa.

O ressignificar é esse processo que dá um novo sentido também aos relacionamentos que construímos na nossa vida, seja o amigo da escolinha de educação infantil que vira teu amigo e parceiro de futebol, aquela conhecida que te cumprimentava na rua e que com o tempo se transforma em uma grande amiga, uma colega de curso que se transforma na tua amiga, sócia e dinda do teu filho, um vizinho ou vizinha que vira cliente fiel, um colega de trabalho que com o tempo torna-se um parceiro de viagem. E aquele professor, professora, vendedora, vendedor, músico, fotógrafo, tantas pessoas podem dar um novo sentido para nossa vida e ressignificar nossos relacionamentos. E todas essas relações impactam na nossa gestão de pessoas como um todo. Sim, a gestão de pessoas também é composta pelo nosso círculo de convivência, e não somente pelas relações construídas no trabalho.

Importante aqui também destacar que os relacionamentos sociais que construídos ao longo do tempo no ambiente profissional têm um papel fundamental na nossa felicidade, uma vez que unem trabalho e amizade.

O que precisa ser ressignificado? Podemos começar pela forma como nos comportamos com os nossos relacionamentos (pois estes nos afetam diariamente e diretamente), priorizando o nosso bem-estar e o daqueles que nos são próximos. Nossa essência não muda, mas o nosso comportamento pode mudar! E ressignificar pessoas é uma importante e transformadora mudança de comportamento.

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