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Liderança

Vulnerabilidade

Telma Esmerio 29/03/2026 7 min de leitura
Vulnerabilidade

Esse tema me despertou muito interesse há alguns anos, e comecei a ler e pesquisar o assunto, e simplesmente me encantei e me identifiquei muito. Vou justificar o meu encantamento e a descoberta que fiz do quanto a vulnerabilidade está presente na nossa vida, no nosso dia a dia e nas ações mais simples até as mais complexas.

Vulnerabilidade não é algo bom nem mau: não é o que chamamos de emoção negativa e nem sempre é uma luz, uma experiência boa ou positiva. Ela é o centro de todas as emoções e sensações. Sentir é estar vulnerável a alguma coisa. Portanto, todos somos vulneráveis, em mais e menos intensidade. Estamos aqui para criar vínculos com as pessoas, pois fomos concebidos para nos conectar uns com os outros. Essa conexão com as outras pessoas nos tornam aptos a dar e receber alguma coisa no que diz respeito a sensações das mais diversas e possíveis. Claro, poderemos identificar boas e más sensações, por exemplo, não seremos felizes o tempo todo, e é natural que a tristeza também faça parte do nosso viver.

Percebemos que algumas pessoas não conseguem superar uma perda ou tristeza, seja de alguém querido ou amado, de um trabalho, de uma promoção, de um afeto, de uma amizade, de uma competição, de um contrato, de uma negociação, entre outras situações. Acabam incorporando essa perda e não conseguem “virar a página”, e trocar o capítulo da sua história. Se apegam a isso como uma bengala de apoio, seguem a vida carregando essa bengala, o que acaba prejudicando (e muito) o seu caminhar em direção a outras possibilidades e aos bons sentimentos.

Todos nós já passamos por perdas ou tristezas, mas isso em hipótese alguma significa que tenhamos que ser eternamente tristes, amargos, frios. Esses duros momentos passados podem e devem servir de evolução, de uma nova perspectiva que nos torne melhores e mais humanizados, mais empáticos. Não é esquecer o que nos aconteceu, pelo contrário, é lembrar, porém, utilizando isso não como uma bengala para se apoiar, mas quem sabe como uma vara para poder saltar, sair da inércia, tomar a frente, superar as dificuldades.

Uma perda nunca é algo bom, sei bem disso. Elas causam uma dor que no começo parece que nunca mais vai passar; nos sentimos impotentes, frágeis e pequenos. Mas é preciso viver esse momento, e entender as mensagens recebidas, e qual a orientação e direção que seguiremos depois. Uma perda pode nos fazer valorizar o que de fato é importante para cada um de nós, e nosso posicionamento e opinião sobre o que nos acontece faz toda a diferença na maneira que encaramos a vida e lidamos com nossas dores.

É verdade que quando estamos vulneráveis ficamos totalmente expostos, sentimos que entramos em uma câmara de tortura (que chamamos de incerteza) e assumimos um risco emocional enorme. Mas nada disso tem a ver com fraqueza. Acreditar que quando estamos vulneráveis estamos fracos é o mesmo que acreditar que qualquer sentimento seja fraqueza. Abrir mão de nossas emoções por medo de que o custo seja muito alto significa nos afastarmos da única coisa que dá sentido e significado à vida: os nossos sentimentos!

A vulnerabilidade é desejar, é incerteza, dúvida, risco e exposição emocional. É também o eixo das nossas emoções, das experiências relevantes que almejamos e desejamos consolidar de fato. Estar vulnerável é ser e sentir!

A vulnerabilidade está na essência de um processo de feedback. Para quem dá, recebe e solicita feedback. E a vulnerabilidade nunca vai embora, mesmo que estejamos capacitados e calejados em oferecer e receber retorno. O feedback é uma devolutiva sobre um comportamento identificado e percebido, e a vulnerabilidade está presente todo o tempo, pois é ela que movimenta a nossa percepção e influencia em uma tomada de decisão.

Quando estamos vulneráveis tantos sentimentos despertam em nós mesmos, e é isso que dá sentido à vida. Já parou para pensar o que seria de nós se não sentíssemos absolutamente nada? Simplesmente não existiríamos, não teríamos a oportunidade de amadurecermos, de sermos felizes, de interagirmos com as pessoas que nos fazem bem, de darmos boas risadas e gargalhadas, de chorarmos por algo que nos toca, enfim. Ser vulnerável é um presente que recebemos quando nascemos, e se soubermos aproveitar com maturidade certamente nossa qualidade de vida será bem melhor.

Quando estamos vulneráveis podemos sentir o toque verdadeiro e mais profundo de infinitos sentimentos, e assim experienciarmos melhor isso, entre eles a felicidade, a paixão, o amor, a satisfação, o prazer, a autoconfiança, o autoconhecimento, a vontade, entre tantos outros. Por isso que a vulnerabilidade nos move, nos orienta, nos ressignifica. Ela nos dá a possibilidade de escolhermos o caminho que desejamos trilhar em meio a tantas possibilidades que experimentamos na vida. Nos possibilita nos apropriarmos do que dá sentido e movimenta nossa vida.

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